StopThe Beauty Madness

Antes mesmo de conhecer a proposta do #stopthebeautymadness fui desafiada por uma amiga a publicar minha foto sem maquiagem. Confesso que nem me abalei muito. Apesar de me maquiar todo dia durante a semana, nos finais de semana costumo me dar folga e fico só no protetor solar. E sim, vou linda pra rua, pra chuva, pra casinha de sapê….

Mesmo assim, postei a minha foto. Porque sei como somos bombardeadas todo santo dia, toda hora, com mensagens dizendo não somos o suficiente. Nesse suficiente entra tudo: bonita, magra, rica, bem sucedida, boa cozinheira, criativa… Todas somos pressionadas a sermos super mulheres. E super mulher, minha filha, não tem olheira. Não tem cravinho, manchinha, cicatriz. Poros abertos? Deus me livre, vira essa boca pra lá. Não basta o onipresente photoshop nas revistas, fazendo com que a gente almeje se parecer com pessoas que não existem (oi, insanidade?) a gente ainda se sente na obrigação de estar perfeita na vida real. E isso cansa.

Achei que mesmo que pra mim fosse normal provavelmente muitas amigas ficariam surpresas. E como somos todas muito mais legais com as amigas do que com nós mesmas, quem sabe ali perceberiam que somos todas bonitas, e a neura coletiva da busca pela perfeição é só isso mesmo: uma neura. 

Claro que isso não resume somente às mulheres, mas especialmente as mulheres. Só uma mulher sabe como é ter pessoas analisando seu físico e sua roupa o dia todos, todos os dias. Pensem nas eleições: houve algum comentário sobre o físico dos candidatos homens? E sobre as candidatas mulheres? Pois é.

O engraçado é que se você parar pra pensar, olhando as pessoas que passam por você na rua, uma minúscula minoria se enquadra no tal “padrão de beleza”. Ou seja, são 98% infelizes querendo ser igual a 2%. Simplesmente não faz nenhum sentido.

E o mais estranho: se você está nesses 2%, você também vai ser pressionado. Tenho uma amiga super magrinha, naturalmente, por ser o tipo de corpo dela. E como ela ouve comentários para ganhar uns quilinhos. Outra que é linda e por isso não pode ter um dia ruim, e é rotulada por isso, como se só pudesse ser bonita, sendo que é uma pessoa super guerreira, inteligente e que gosta de coisas ditas masculinas (existe isso ainda?). 

Ou seja, toda essa cultura é simplesmente para fazer as pessoas terrivelmente infelizes, culpadas por serem quem são.

Por isso iniciativas como essa são sim importantes. Percebem que chegamos em um ponto onde as mulheres tem vergonha de se expor sem máscaras? Por que? Não faz sentido, mas conheço tantas que não vão na padaria em o básico base+rímel+blush…. A vaidade era para ser divertida, um algo a mais, não a base de tudo. 

Ah, a foto? Tá aqui, nada demais :)

E não ache que não sou vaidosa. Eu sou sim. Mas quero que a minha vaidade seja um acessório na minha busca de ser a minha melhor versão. A MINHA, de ninguém mais. Há alguns anos operei meu nariz, tinha o septo todo errado e aproveitei para deixá-lo mais harmonioso. Demorei anos para fazer isso porque todos os médicos que eu ia queriam me dar outro nariz, geralmente um padrão que eles colocam no rosto de todos os pacientes. Assustador. Lembro até hoje que fechei na hora com o médico que me operou porque ele falou “você não pode ter um narizinho, precisa de algo que acompanhe seu rosto”. O primeiro, depois de anos de consultas. Tanto é que muita gente me encontra e só diz que tem algo diferente no meu rosto. Meu nariz continua único nas suas imperfeições, continua sendo meu.

E que todo mundo tenha  a liberdade de ser imperfeitamente único.

Ah, a iniciativa não se resume a isso não. Vale muito a pena checar o website http://www.stopthebeautymadness.com/. E se for desafiada, minha amiga, se jogue. Se não por você, pelas outras, que vão poder ver que a beleza não depende de maquiagem para existir.

(Post do projeto Rotaroots)